Research Project
Monday, June 28th, 2010Universidade Federal de Goiás
Faculdade de Letras
Departamento de Línguas e Literaturas Estrangeiras
Richard Gomes Firmino
ABORDAGEM CULTURAL PRESENTE NO MATERIAL DIDÁTICO DE LÍNGUA INGLESA USADO NA ESCOLA PÚBLICA.
Introdução
O ensino de Inglês na escola pública é um assunto que sempre me interessou desde o momento em que iniciei minha graduação em Letras. O interesse aumentou, a partir do momento em que comecei a trabalhar como professor de Inglês em escola pública, também no início do meu curso. Durante minhas aulas na escola, sempre pensei em uma forma de trabalhar a LE aproximando-a à realidade cultural dos alunos, em um contexto que seja conhecido por eles. Senti bastante dificuldades de colocar em prática essa atitude, devido a disparidade entre o meu discurso, enquanto professor, e o que o material didático, especificamente o livro didático, trazia como aspectos culturais nos conteúdos a serem trabalhados. Sendo assim, decidi discutir a forma que a cultura é abordada no material didático usado na sala de aula de Língua Inglesa da escola pública.
De acordo com Leffa (2006), o inglês é visto como uma língua multinacional, portanto caracteriza-se por não ter nacionalidade. Além disso, falar uma língua é apropriar-se dela, seja como falante nativo ou não-nativo. O inglês ideal a ser ensinado, não é o dos Estados Unidos ou o da Inglaterra, mas sim o do Brasil, o que seria mais uma variedade da língua inglesa.
O que se vê em muitos materiais didáticos de língua inglesa é uma total alusão à cópia da cultura dos países falantes nativos da língua. Segundo Moita Lopes (1996), transmitir cultura significa impor a ideologia da classe dominante, que vai, é óbvio, atender diretamente aos seus próprios interesses. Além disso, controlar a cultura é controlar o poder, e quem detém a cultura é o imperialista.
Pensando neste aspecto, o ensino de inglês de acordo com Moita Lopes (1996), deve preservar a identidade cultural brasileira do aluno, sem a necessidade de incorporar hábitos culturais dos falantes nativos de língua inglesa. Portanto, o material didático usado pelo professor na sala de aula, deve explorar os aspectos da cultura brasileira, aproximando-o da realidade no qual ele vive.
Objetivos
Este estudo tem como objetivo geral analisar e discutir como a cultura é abordada no material didático e ainda trabalhada na sala de aula de língua inglesa na escola pública. De forma mais específica, busca-se analisar o modo que a cultura é ensinada dentro da sala de aula de inglês; se é de forma contextualizada com a realidade cultural dos alunos e ainda até que ponto o material didático contribui para a ampliação e preservação da identidade cultural do aluno.
Metodologia
A pesquisa será realizada no Colégio Estadual Presidente Artur da Costa e Silva, na cidade de Aparecida de Goiânia. A escola oferece Ensino Fundamental (primeira fase e segunda fase) e Educação de Jovens e Adultos (EJA). A mesma foi fundada em 1975, começando com apenas três salas de aula. Após algumas ampliações e reformas, a escola conta hoje com onze salas de aulas mais as dependências administrativas, funcionando atualmente com aproximadamente 1.232 alunos matriculados.
O foco deste estudo será na sala de aula, especificamente em uma turma de 9º série do Ensino Fundamental (2ª fase). As aulas de inglês acontecem duas vezes na semana, sendo a duração de cada aula 50 (cinqüenta) minutos. A quantidade de alunos nas salas de aula varia de 15 a 35 alunos, sendo geralmente comum uma quantidade mais reduzida, em média 17 alunos, nas turmas de 9ª série, por ser o último nível do Ensino Fundamental na escola.
O MEC ainda não disponibiliza a distribuição gratuita dos livros didáticos de inglês para a escola pública. Devido a este fato, o professor deve selecionar e utilizar seu próprio material didático, ficando a escolha do mesmo se adotará algum livro didático para a utilização durante as aulas. Nesse sentido, muitos professores preferem não adotar um livro didático, devido à condição financeira precária da maioria dos alunos.
Para a realização deste estudo, será feita uma pesquisa classificada como qualitativa. De acordo com Silva (2001), a pesquisa qualitativa considera que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em números. A interpretação dos fenômenos e a atribuição de significados são básicas no processo de pesquisa qualitativa. Não requer o uso de métodos e técnicas estatísticas. O ambiente natural é a fonte direta para coleta de dados e o pesquisador é o instrumento-chave. É descritiva. Os pesquisadores tendem a analisar seus dados indutivamente. O processo e seu significado são os focos principais de abordagem.
A sala de aula será o ambiente em que os dados serão coletados por meio de observações etnográficas; análise do material didático utilizado pelo professor; entrevistas com alunos e professor; questionários a serem aplicados a alunos e professor e notas de campo feitas por mim.
Após possuir os dados suficientes, será feito uma análise geral tomando como base os conhecimentos teóricos, interpretando-os, para chegar a uma conclusão do estudo feito.
Cronograma
Maio e Junho/2010 – Leitura e discussão sobre pesquisa; elaboração do projeto de pesquisa,
Julho/2010 a Janeiro/2011 – Leitura, discussão e fichamentos dos textos teóricos que envolvem a temática “abordagem cultural presente no material didático de língua inglesa usado na escola pública” que serão necessários para a construção do TCC, após a execução do projeto.
Fevereiro/2011 a Agosto/2011 – Coleta de dados através de observações de aulas e do material didático usado pelo professor, juntamente com a aplicação de questionários a alunos e professor.
Setembro/2011 – Análise dos dados coletados, mediante a interpretação dos mesmos.
Outubro e Novembro/2011 – Elaboração do Trabalho Final de Curso (TCC).
Dezembro/2011 – Apresentação do TCC.
Referências
BROWN, H.Douglas. Principles of Language Learning and Teaching. 3rd edition. San Francisco State University, 1994.
LARSEN-FREEMAN, D. Techniques and Principles in Language Teaching. Oxford: Oxford University Press, 2000.
LEFFA, V. Aspectos políticos da formação do professor de línguas estrangeiras. In: O professor de línguas; construindo a profissão. Pelotas: EDUCAT, 2001, p.333-355.
MOITA LOPES, L.P. Oficina de LA. Campinas, SP: Mercado de Letras, 1996. Parte 2.
SILVA, E. L. da. Metodologia da pesquisa e elaboração de dissertação. Florianópolis: 2001.








